sábado, 24 de agosto de 2013

sábado, 17 de agosto de 2013

Estou a poucas milhas de casa. Ah, o meu lugar que me espera. Aquele mar, aquele céu azul que tanto me fazem bem. Como estarão o meu amor, meu irmão, minha mãe? Nos falamos tão pouco neste tempo ausente. Volto assim assim, com aquela vontade de recomeçar... e lembrar das coisas que ficaram lá... do outro lado do mar.


Sávio Siqueira
Rio de Janeiro-Salvador
13/09/1985
Nas asas da Transbrasil





Estou voltando para casa. Esta é uma maravilhosa sensação. Estou cheio de saudades de lá e de cá. Estou meio dividido, ansioso, mas, ao mesmo tempo, com mil planos na cabeça. Que pessoa é esta que volta? Ainda preciso descobrir.


Sávio Siqueira
Londres-Rio de Janeiro
12/09/1985
Nas asas da Varig

Rodando pela Europa há um tempinho. Alguns países, muitas saudades, memórias que vão ficar. Sigo para Londres, parada para estudos sobre a língua que, parece, vai abrir caminhos para o futuro que me aguarda. Vamos ver. 


Sávio Siqueira
Paris-Londres
04/08/1985
Nas asas da British Airways

Escala em Paris. Longas 11 horas no ar. Dormi pouco, mas deu até para descansar. Amanhece em outro continente, aqui, onde acostumou-se a chamar de Primeiro Mundo. Como deve ser a vida por estas bandas de cá? Só saindo para ver. Não vai demorar.


Sávio Siqueira
Paris-Frankfurt
03/07/1985
Nas mesmas asas da Varig

Do Rio de Janeiro, vou deixando o meu país para trás. Nunca estive num avião tão grande. Quanta gente. Doce e amarga é a sensação de seguir para um lugar em que não se fala a minha língua. Destino: Frankfurt. Até breve, meu amor!


Sávio Siqueira
Rio de Janeiro-Paris
02/07/1985
Nas asas do DC-10 da Varig


Parto para uma temporada na Europa. Deixo aqui um amor em flor. Será que vamos resistir? Andei tanto tempo sozinho, perambulando por entre alcovas invisíveis, sem rumo, com emoções feridas. Agora que começo a colar os pedaços, preciso ir.


Sávio Siqueira
Salvador-Rio de Janeiro
02/07/1985
Nas asas da Transbrasil

Não entendia bem por que o Rio é chamado de 'Cidade Maravilhosa'. Meu Deus, agora não tenho a menor dúvida. Não há quem por ali passe e não entre em choque quase anafilático de felicidade diante de tanta beleza natural!


Sávio Siqueira
Rio de Janeiro-Salvador
11/12/1982
Nas asas da Varig-Cruzeiro
 Ah, que interessante a sensação de voar! As pessoas não se falam, os luxos aparecem, um luxo para poucos. Preciso aprender a entender a lógica de desfrutar de certos privilégios. O que me aguarda o Rio de Janeiro? 


Sávio Siqueira
Salvador-Rio de Janeiro
05/12/1982
Nas asas da Varig-Cruzeiro
Do alto, vou deixando Lisboa para trás. Tenho aquela sensação que um dia parti daqui para fincar pé no meu Brasil adorado. Só não fiz parte da nefasta empreitada colonialista. Sou um viajante inocente.

Castelo de São Jorge visto do Elevador da Santa Justa no Chiado - By Sávio

Sávio Siqueira
Lisboa-SSA
28/11/2012
Nas asas da TAP
Preciso tentar entender melhor as pessoas. O mundo, sei que não vou mudar. Mudar alguém, muito menos. Sendo assim, mudo eu. Mas ainda preciso beber alguns goles de veneno!


Sávio Siqueira
Salvador-Lisboa
20/11/2012
Nas asas da TAP

Escrevo dentro de um avião em guardanapos de papel

"Palavras no ar" nasceu há muito tempo. Porém, mesmo com o passar do tempo, nunca quis tirar uma certa compilação de reflexões diversas e segredinhos outros do cantinho "caliente" em que tudo ficou guardado. Mantive os escritos em guardanapos de papel das companhias aéreas que, com o tempo, iam amarelando, quando não se esfacelando. A inspiração dos "guardanapos" veio de uma canção interpretada por Milton Nascimento, no disco Nascimento (1997), chamada exatamente "Guardanapos de Papel". Logo depois, no mesmo ano, Milton apresenta uma linda versão ao vivo no show "Tambores de Minas" (1997). Só por curiosidade, a canção é de autoria do uruguaio Leo Masliah e o título original é "Birromes y servilletas", sendo versada para o português por Carlos Sandroni sob o novo título. Clara Sandroni, irmã de Carlos, gravou a primeira versão no ano de 1987. Milton, na sua versão, impôs um lirismo peculiar, além de ter-lhe emprestado aquela voz inconfundivelmente maravilhosa. Não há quem não se apaixone por "Guardanapos de Papel" na voz de Milton. É só conferir o vídeo abaixo e ver que tenho razão. 


Mas voltando ao "little project", por conta da eminente perda deste material "pessoal e intransferível" (risos), resolvi "digitalizar" todo o suposto acervo, gestado, como disse antes, durante as tantas horas em que estive lá por cima, geralmente a 10,000 metros de altura (33 mil pés), e nas minhas "alucinações" geográficas e filosóficas, claro, bem pertinho de Deus. 

Aqui, então, vou deixando fluir estas minhas tantas vozes e sentimentos guardados, fora de uma ordem cronológica e sem obedecer quaisquer categorizações ou importâncias históricas. Vou deixando as minhas palavras no ar... em plenos guardanapos de papel. Sigamos... pelo ar.

Sávio, inverno de 2013.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Um blog para refletir sobre a vida em pleno voo!

"No dia em que fui mais feliz, eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir". 
(Inverno by Adriana Calcanhoto)


PALAVRAS NO AR são palavras escritas literalmente neste ambiente, dentro de aviões, pelos céus do Brasil e do mundo. São encontros comigo mesmo em momentos em que pouco posso fazer a não ser esperar os minutos, as horas, o tempo passar. E diante disso, por que não tornar esse tempo prazeroso, pensando, refletindo? Nada de lições de moral ou clichés desnecessários. Reflexões que servem apenas para mim, de lá para cá, de cada canto para algum lugar. Estou muitas vezes no ar e lá acho que chego mais perto de Deus. Só isso. No mais, palavras, palavras, palavras. 

Sávio Siqueira, inverso de 2013